Safra de grãos do Ceará salta 183%; maior volume obtido desde 2011

A produção de grãos no Ceará cresceu 183,22% ao atingir 531.696 toneladas em 2017. Em 2016, o resultado apontou 187.731 toneladas, segundo levantamento divulgado ontem (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume obtido no ano passado é o maior desde 2011, quando a safra cearense somou 1.300.855 toneladas. Considerando os últimos 22 anos, a safra obtida no Estado em 2017 teve o 13º maior volume, segundo o IBGE.

“Deste grupo, composto de 12 produtos, apenas 2 produtos apresentaram redução na produção obtida em 2017, comparando-se à produção obtida em 2016: feijão de corda de 2ª safra e a mamona. O crescimento do arroz irrigado, arroz de sequeiro, feijão de corda de 1ª safra (Vigna), milho (grão) de sequeiro, milho (grão) irrigado, fava, milho (semente), algodão herbáceo de sequeiro e amendoim foi resultante tanto do aumento de área, quanto do aumento de rendimento, uma vez que a quadra chuvosa de 2017 foi melhor que a média dos últimos 5 anos de seca”, informa o IBGE.

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De acordo com o órgão, o feijão de arranca de 1ª Safra (Phaseolus) apresentou crescimento em relação à safra 2016 por conta do incremento no rendimento, já que houve redução de área. “Este incremento, sim, foi resultante da quadra chuvosa de 2017 ter sido melhor que a média dos últimos 5 anos de seca”.

Já o feijão de corda de 2ª safra, diz o IBGE, apresentou redução em relação à safra 2016 por conta da diminuição de área, pois mesmo com a melhor quadra chuvosa não houve áreas de vazantes suficientes. “No caso da mamona houve redução da produção em relação à safra 2016 por conta da diminuição de área tanto em relação à primeira estimativa quanto à safra passada devido ao término do incentivo governamental”, acrescenta o IBGE.

Área colhida

De uma área prevista para ser colhida de 1.055.606 hectares (ha) no início do ano de 2017, foram colhidos 1.028.211 ha, representando redução de 2,60%, segundo informações do IBGE. “Desta área, havia uma previsão de serem colhidos 572.998 ha de milho (grão) total (irrigado e sequeiro), foram colhidos 562.925 ha, significando redução de 1,76%. Quanto ao feijão de corda 1ª safra (Vigna), era esperada uma área a ser colhida de 446.994 ha. No entanto, ao final da colheita, foram colhidas 437.058 ha, representando redução de 2,22%”, informa.

No caso do arroz (sequeiro e irrigado), havia a previsão de serem colhidos 11.209 ha, efetivamente, foram colhidos 6.704 ha, representando redução de 40,19%.

Participação

Em relação à participação dos grãos na produção obtida em 2017, comparando-se à esperada, dos três produtos com maior parcela (milho, feijão de corda de 1ª safra e arroz), o levantamento constatou que a participação do milho (grão) de sequeiro, aumentou, passando de 59,13%, no início do ano de 2017, para 70,04%.

“Este crescimento foi devido à primeira estimativa ter sido calculada com base nos cinco anos de seca e este ano a quadra chuvosa foi melhor. O feijão de corda 1ª safra também apresentou aumento na participação na produção total, comparando-se a primeira estimativa (64.184 t) com a safra de 2017 (127.341 t), passando de 22,65% para 23,95%”, disse o IBGE.

Segundo o órgão, o arroz (irrigado e sequeiro) apresentou acentuada redução na participação na produção total de grãos, passando de 13,89% para 3,72%, em relação à primeira estimativa (39.356 t) com a safra obtida em 2017 (19.762 t).

“O resultado foi por conta da redução de área do arroz irrigado no Baixo Jaguaribe, pois as chuvas de 2017 não recarregaram os reservatórios e a dificuldade de água para a irrigação permanece”.

Ainda de acordo com o IBGE, outro produto cuja participação diminuiu substancialmente, ao comparar-se a primeira estimativa (6.456 t) com a safra obtida em 2017 (3.837 t) foi a segunda safra do feijão de corda, passando de 2,28% para 0,72%.

“Este produto apresentou uma redução na área tanto em relação à primeira estimativa quanto à safra passada. Este produto é plantado em vazantes, cuja área foi menor, uma vez que as chuvas não recarregaram os reservatórios, e irrigado, cuja dificuldade de água permanece”, justifica o IBGE.

Chuvas

Em âmbito nacional, a intensidade das chuvas de dezembro permitiu uma projeção de aumento de 2,2% na safra agrícola deste ano, em relação aos dados de novembro. O prognóstico divulgado ontem pelo IBGE aponta para uma produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas de 224,3 milhões de toneladas em 2018, ainda assim, o resultado é 6,8% menor do que a safra recorde de 2017.

“Em novembro, a estiagem prolongada tinha levado a um atraso no início do plantio, mas a abundância de chuvas em dezembro mudou esse quadro, levando a um ajuste nos prognósticos de área colhida e volume de produção do arroz, da soja e da primeira safra do milho”, explica o pesquisador do IBGE, Carlos Alfredo Guedes.

Diário do Nordeste