‘Virada’ da economia já começou no Ceará, mas retomada será lenta
Com a economia brasileira dando os primeiros, embora tímidos, sinais de recuperação, o sentimento nos setores da indústria, serviços e agropecuária é de que o pior momento ficou para trás. No entanto, o ritmo da retomada econômica está mais lento do que era esperado no início do ano, principalmente, por conta do ambiente político, que nos últimos meses tem desviado o foco do governo das questões econômicas. Por outro lado, os baixos índices de inflação permitiram o início de um ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) que tem contribuído para melhorar as perspectivas de setores como o da construção civil.
“A expectativa agora, para o fim do ano, é de melhoria. Em julho, também por conta do turismo, a economia do Estado já mostrou uma recuperação. O comércio, por exemplo, começou a reagir, mas não com esse otimismo esperado pelo governo federal. A retomada ainda tem sido muito lenta”, avalia o economista e consultor Henrique Marinho. Em maio, o volume de vendas do comércio cresceu 0,1% na comparação com igual mês de 2016, e o fluxo de inadimplentes cadastrados no SPC/Fortaleza caiu 44,9%, segundo dados do último Radar do Comércio, divulgado em julho pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
“A inflação baixa e os juros caindo é muito positivo. E a perspectiva de redução de juros pelo Banco Central na próxima reunião do Copom começa a dar um alento para os financiamentos”, diz Henrique Marinho.
Recentemente, o secretário do Planejamento do Estado, Maia Júnior, disse que o governo está otimista com o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará referente ao segundo trimestre, cuja divulgação pelo Ipece está prevista para o início de setembro. A expectativa, segundo o secretário, é de mais um resultado positivo, sinalizando uma recuperação da economia cearense. No primeiro trimestre, o PIB estadual registrou alta de 1,87%, acima do crescimento nacional (1%).
Principal atividade da economia cearense, responsável por 75% do PIB do Estado, o setor de serviços, que inclui o comércio, apresentou um crescimento de 1,78% no primeiro trimestre ante o trimestre anterior. Para 2017, a expectativa é de que o comércio avance em torno de 4%, diz o presidente da Federação Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL-CE), Freitas Cordeiro. “A tendência é termos resultados melhores. Todos os indicadores apontam para isso. O segundo trimestre deste ano já vai ser bem melhor do que o segundo trimestre do ano passado”, ele diz.
Segundo Cordeiro, a percepção é de que o pior momento da recessão passou. “Chegamos no limite e agora estamos presenciando uma retomada, o emprego já está aparecendo em alguns setores, os resultados do segundo trimestre serão mais significativos do que no primeiro. Estamos, de fato, saindo dessa recessão”, diz. Apesar da queda da Selic, Cordeiro diz que as taxas de juros ao consumidor ainda estão altas para estimular o comércio. “Precisamos de juros competitivos. O momento é de estímulo por parte do governo, mas isso ainda está muito fraco”.

