Brasil

Procurador pede absolvição de Lula no caso e Nestor Cerveró

Brasília. O procurador da República, Ivan Cláudio Marx, pediu a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo decorrente das investigações que apuraram a tentativa de compra do silêncio do ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

Em alegações finais, o Ministério Público Federal se manifestou também pela absolvição do banqueiro André Esteves. O procurador afirma que não há provas de que eles participaram do esquema criminoso.

Na avaliação do Ministério Público Federal, devem ser condenados o ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) o advogado Edson de Siqueira Ribeiro Filho e os demais denunciados: Maurício Barros Bumlai, José Costa Barros Bumlai e Diogo Ferreira Rodriguez. No caso de Diogo, benefícios decorrentes da colaboração devem ser mantidos.

Em alegações finais, o Ministério Público Federal pediu que Delcídio perca os benefícios assegurados no acordo de colaboração premiada.

A Procuradoria da República afirma que o ex-parlamentar mentiu sobre fatos que levaram à abertura de ação penal contra sete investigados.

Na manifestação, o procurador reconstitui a forma como, segundo as provas dos autos, ocorreu o fato que gerou a denúncia: o pagamento de R$ 250 mil para que Cerveró não firmasse acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal ou que, em o fazendo, protegesse Delcídio Amaral.

A narrativa foi construída a partir das provas reunidas durante a instrução processual, bem como de informações extraídas dos depoimentos de testemunhas e do interrogatório dos próprios denunciados.

Para o procurador, ao contrário do que afirmou Delcídio Amaral – tanto na colaboração quanto no depoimento dado à Justiça-, o pretendido silêncio de Cerveró, que à época cumpria prisão preventiva, não foi encomendado ou interessava a Lula, mas sim ao próprio senador.

Motivação

De acordo com a peça do MPF, as provas coletadas mostraram que o então senador tinha motivos para tentar evitar que Nestor Cerveró firmasse o acordo de colaboração premiada.

O principal deles era impedir a revelação de que ele (Delcídio) recebeu R$ 4 milhões da construtora UTC, como propina e que o dinheiro foi usado em Caixa 2 em sua campanha ao governo do Estado do Mato Grosso.

Para tanto, e por orientação de Edson, nos primeiros anexos entregues ao MPF Nestor Cerveró informara falsamente que os valores foram destinados à campanha presidencial de Lula naquele ano de 2006. Conforme o MPF, “Delcídio estava agindo apenas em interesse próprio. E Cerveró estava sonegando informações no que se refere a Delcídio, e não sobre Lula, a quem inclusive imputava fatos falsos, no intuito de proteger Delcídio”.

Caravana

No dia em que o IBGE anunciou um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre deste ano e a Bolsa de São Paulo atingiu seu maior patamar em sete anos, Lula disse, em Marcolândia, cidade do Piauí, que está em caravana pelo Nordeste para ver “o que está acontecendo no País depois de um ano e meio de golpe”.

Durante discurso em um parque para geração de energia eólica, Lula voltou a atacar a imprensa e as “elites”, como tem sido praxe na caravana, e afirmou mais uma vez que o governo Temer vai trazer “retrocessos ao Nordeste”.

Já o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do vice-presidente José Alencar, morto em 2011, disse que não pretende integrar uma chapa como vice-presidente em 2018, como se especula. “Estou 100% focado nas nossas empresas”, afirmou Josué, durante evento em São Paulo. Parlamentares disseram que Lula e o empresário têm conversado sobre o assunto.

Fonte: Diário do Nordeste