Brasil

Michel Temer deve trocar 17 ministros, diz Romero Jucá

Brasília. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse, ontem, que o pedido de demissão de Bruno Araújo do Ministério das Cidades acabou por “precipitar” o debate sobre a reforma ministerial dentro do governo. De acordo com Jucá, o presidente Michel Temer deverá trocar 17 dos 28 ministros.

“Temer está avaliando e discutindo como vai fazer. Será uma reforma ampla, 17 ministérios vagos no prazo que o presidente determinar. Ele quem vai definir o ritmo”, tuitou o senador.

Para quem vai entrar agora, Jucá defende que haja indicação política, mas diz também que Temer terá que nomear bons técnicos, pois não haverá tempo para que os novos ministros aprendam depois da posse. Dentro desse critério, ele elogiou o nome do presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi.

“Não adianta fazer uma reforma agora e outra em março. Seriam ministros festivos, que ficariam no cargo só no Natal, Réveillon e Carnaval. Só tem feriado daqui para a frente”, brincou Jucá. Ele disse que o governo não tem tempo a perder.

“Tem que botar gente experiente porque temos pouco tempo. Não dá para o ministro entrar e aprender no cargo. O Gilberto Occhi é um bom nome, um bom técnico”, disse ao ser questionado sobre a vaga.

Outros três partidos da base aliada entraram na disputa com o PP pelo comando do Ministério das Cidades. Políticos do PMDB, PSD e DEM começaram a se articular para indicar um nome ligado às suas respectivas legendas.

Apesar de estar em 11º lugar no ranking de orçamento da Esplanada (R$ 10,1 bilhões), a pasta comanda programas com impacto direto nas bases eleitorais, como construção de moradias, redes de esgoto e transporte.

Vice-líder do PMDB na Câmara, o deputado Carlos Marun (MS) já colocou seu nome para a vaga. Ele ressaltou que tem experiência na área, por ter sido secretário estadual de Habitação. Partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), o DEM também pleiteia o comando da pasta. “É uma disputa natural e legítima, por ser um ministério que gera uma pauta positiva nos Estados”, disse o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho.

Campanhas

Ontem, lideranças de partidos da base aliada reagiram negativamente à decisão de Temer de obrigar todos os ministros que serão candidatos nas eleições de 2018 a deixarem os cargos até dezembro deste ano.

O argumento é de que a saída antecipada é prejudicial, porque acontecerá no momento em que os titulares das pastas estão colhendo os resultados positivos de suas ações.

A definição de Temer, se levada adiante pelo presidente, prejudica principalmente aqueles ministros que não possuem mandatos, entre eles, Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) e Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

Sem os cargos no primeiro escalão do governo federal, ficarão sem foro privilegiado por pelo menos um ano e, portanto, voltarão a serem julgados pela primeira instância.

PSDB

Jucá disse que seu partido poderá lançar candidato à Presidência da República em 2018 se o PSDB e nenhum outro partido da base quiser defender o legado de Temer. A fala do peemedebista foi dita após ser questionado sobre a relação de seu partido com os tucanos.

“Se não tiver essa defesa do legado, o PMDB não vai ficar órfão da defesa desse legado. Se não tiver ninguém para defender, o PMDB vai lançar um candidato para defender esse legado”, disse o líder do governo.

 

Fonte: Diário do Nordeste