Várzea Alegre

Agricultor é inocentado após quase um ano preso injustamente pelo crime que não cometeu

Um agricultor natural de Farias Brito\CE foi inocentado pela justiça, após passar 11 meses preso injustamente pelo crime de estupro de vulnerável, em Várzea Alegre.

Antônio Alexandre da Silva, de 50 anos, foi preso no dia 31 de dezembro de 2018, após ser acusado de estuprar uma criança de 3 anos. Ele foi solto, mediante medidas cautelares, em 19 de dezembro de 2019, quase um ano.

A criança é de São Paulo, e estava a passeio no município varzealegrense. Os pais da criança relataram que ela se queixou de incômodo na região glútea e, aos voltarem para casa, verificaram vermelhidão na região e resquícios de sêmen na roupa íntima. Ao questionarem a vítima, ela teria dito que havia brincado de “cavalinho” mais cedo, tendo dito ainda que ficaram despidos na brincadeira.

A própria vítima foi ouvida em depoimento especial, disse que o acusado foi preso por brincarem de “cavalinho” com ele, mas que não o machucaram, não tendo sentido dor. Afirmou ainda que o acusado não tirou sua roupa, nem a dele, negando que outras coisas tenham acontecido na ocasião.

As testemunhas policiais apenas relataram o atendimento da ocorrência e a denunciação dos fatos pela mãe da vítima. Ainda foi ouvida uma tia da criança e relatou apenas que era comum a vítima ir brincar na casa do acusado.

O réu negou a prática delitiva em seu interrogatório, tendo relatado que a criança ia até sua casa para brincar com os cachorros. Disse que brincava com a vítima sem toca-la, nunca tendo sequer a pegado no colo.

O laudo pericial constatou exclusão de Antônio Alexandre como produtor do material genético encontrado na cueca da criança, tornando-se inocente do crime. A sua defesa disse que ingressou com uma ação de reparação de danos contra o Estado do Ceará pelo erro judiciário.

A sentença do ano passado foi divulgada no dia 29 de maio de 2025.

A defesa do agricultor, representada pelo advogado Dr. Luiz Ricardo, disse que o caso de Antônio Alexandre da Silva evidencia o quanto o sistema de justiça brasileiro é falível.

Um homem inocente ficou preso por mais de 11 meses e cumpriu medidas cautelares diversas da prisão, dentre elas o recolhimento domiciliar noturno, por mais de 04 anos“, disse. 

Destacou também que “Sendo que um simples exame pericial de confrontação genética seria capaz de trazer a verdade à tona e absolvê-lo. Pericia esta que somente foi concluída mais de 05 anos após os fatos”.

A defesa destacou que um homem simples e honesto  teve a sua vida familiar, social e laboral devastada por conta de um erro judiciário e que restando ao Sr. Antônio Alexandre, tão somente, buscar uma reparação mínima do Estado para que possa recomeçar sua vida.

A reportagem apurou que quanto ao perfil genético do verdadeiro abusador está preservado, e que ele não foi encontrado. Cabe a polícia e ao MP prosseguir com a investigação e encontrar o verdadeiro culpado.

A defesa de Alexandre disse que como os pais da criança estavam apenas a passeio e voltaram a residir no estado de São Paulo, não soube informar como a investigação irá proceder para encontrar o verdadeiro culpado.

imagem divulgação