Eunício diz que preocupação não é com Michel Temer
Ao ser questionado sobre a situação do presidente Michel Temer após a Câmara ter barrado sua denúncia, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse ontem (26) que a preocupação não é com ele, afirmando que ele assumiu o cargo como resultado de um processo de impeachment.
“Não é o presidente Temer. Nossa preocupação não é com o presidente A ou B. Até porque o presidente Temer pegou uma posição que não foi pela disputa eleitoral das ruas. Foi por uma circunstância do regime presidencialista, que permite este desequilíbrio, que permite impeachment e gera uma crise. Por isso sou parlamentarista”, disse.
Na noite de quarta (25), mesmo dia em que o presidente passou mal devido a um problema urológico e foi levado ao hospital em Brasília, a Câmara barrou a denúncia contra Temer por 251 votos.
O peemedebista é acusado pelo Ministério Público dos crimes de obstrução da Justiça e organização criminosa. Para que tivesse prosseguimento, a denúncia precisaria da autorização de no mínimo 342 deputados. Como esse patamar não foi alcançado, o processo é suspenso até que Temer deixe o cargo, em janeiro de 2019.
Previdência
Questionado sobre a reforma da Previdência, apontada como prioridade após a denúncia, Eunício reconhece a necessidade do projeto, mas fala que o momento é difícil para aprovação de medidas impopulares.
“Todos sabem que a questão da Previdência é muito polêmica e precisamos de algum tipo de ajuste. Mas todos sabem também que o momento político não é oportuno para se alterar posicionamentos que vão de encontro à sociedade brasileira, que pensa contrariamente”, disse.
O peemedebista afirmou que o momento é de preocupação econômica voltada para o “cidadão pobre”.
“Não é a pauta econômica corporativa, mas de desenvolvimento. Temos que fazer o dever de casa, ser responsáveis”, disse.
Entenda o caso
No dia 14 de setembro, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot apresentou ao STF a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. Em junho, Janot já havia denunciado o presidente pelo crime de corrupção passiva. Desta vez, Temer foi acusado de liderar uma organização criminosa desde maio de 2016 até 2017. De acordo com a denúncia, o presidente e outros membros do PMDB teriam praticado ações ilícitas em troca de propina, por meio da utilização de diversos órgãos públicos. Além de Temer, foram acusados de participar da organização os integrantes do chamado “PMDB da Câmara”: Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Rodrigo Rocha Loures, Eliseu Padilha e Moreira Franco. Todos os denunciados negam as acusações. Com o resultado da quarta-feira, o processo fica parado enquanto Michel Temer estiver no exercício do mandato de presidente da República, ou seja, até 31 de dezembro de 2018.
Fonte: O Estado

