Goiás tenta reagir, após sofrer terceira rebelião em presídios
Goiânia. O governo de Goiás promete implementar um regime disciplinar rigoroso, semelhante ao dos presídios federais de segurança máxima, nas unidades prisionais estaduais que estão sendo construídas em cinco municípios.
Segundo as autoridades goianas, as obras de construção das unidades de Anápolis, Formosa, Novo Gama, Águas Lindas e Planaltina estão em fase avançada e as duas primeiras devem ser inauguradas no próximo mês, acrescentando 600 novas vagas carcerárias ao sistema.
Segundo o diretor-geral de Administração Penitenciária, coronel Edson Costa, a ideia é isolar os líderes de grupos criminosos que cumprem pena no estado e todo o apenado que exercer atividade prejudicial ao sistema carcerário, influenciando ou colocando em risco a integridade de outros internos.
A expectativa do diretor-geral é que os outros três presídios sejam entregues até o fim deste ano, totalizando 1.588 novas vagas e um investimento da ordem de R$ 150 milhões.
Crise
As mudanças na estrutura da segurança pública goiana foram anunciadas em meio à crise desencadeada por três rebeliões registradas no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde, na segunda (1°), nove detentos foram mortos e 14 feridos. Outras dois princípios de rebeliões foram ocorreram na mesma unidade na quinta e sexta-feira. Já a Pastoral Carcerária de Goiás sustenta que as medidas que o Poder Público adotou apenas reforçaram a repressão e o encarceramento no estado.
A entidade lembra que, após a rebelião de fevereiro de 2017, na Penitenciária Coronel Odenir Guimarães, que funciona no mesmo Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia e na qual cinco presos foram mortos, antecipou que medidas repressivas apenas aprofundariam a violência nas unidades.
Calcanhar de aquiles
O secretário estadual de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, declarou que a fragilidade das prisões é o “calcanhar de aquiles” dos sistemas de segurança pública e judiciário do Brasil inteiro e que as recentes rebeliões registradas em Aparecida de Goiânia (GO) não são um “fenômeno avulso ou ocasional”, mas sim fruto da disputa entre facções criminosas rivais por mercados ilícitos, como o narcotráfico.
De acordo com Balestreri, o serviço de inteligência goiano já tinha identificado que presos planejavam deflagrar rebeliões em ao menos 20 unidades prisionais estaduais a partir do fim do ano passado, a maior parte delas evitada pela secretaria.
Abacaxi
O secretário de Segurança Pública de Goiás disse ainda que o governo federal nunca forneceu recursos suficientes para a segurança pública e para o sistema penitenciário.
“Não é querer jogar o abacaxi nos outros. É colocar na mesa as responsabilidades”, afirmou.
Detentos fizeram a terceira rebelião em menos de uma semana no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO). O motim começou na madrugada de sexta-feira, na Penitenciária Odenir Guimarães (POG), unidade de regime fechado do complexo, quando tiros começaram a ser ouvidos no local.
Segundo a Diretoria Geral de Administração Penitenciária (DGAP), o Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope), com apoio da Polícia Militar, invadiu o presídio e constatou focos de incêndio.
Fonte: Diário do Nordeste

