Músico varzealegrense tem projeto classificado em edital Festival Cultura Dendicasa da Secult
Com Ricardo Félix, a musicalidade varzealegrense se renova. Talentoso e dedicado, Ricardo tem 29 anos de idade. É mestrando em música instrumental pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Toca trombone de vara e eufônio (bombardino).
Todo o seu talento foi evidenciando na produção de um vídeo feito entre 6 e 10 de abril deste ano com o objetivo de concorrer ao edital Festival Cultura Dendicasa: Arte de Casa para o Mundo, projeto da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará – Secult.
O projeto com o título “compositores varzealegrenses” foi aprovado nesta terça-feira, 21 de abril. “Esse projeto, que foi aprovado, na verdade é parte de um trabalho de pesquisa (fora do âmbito acadêmico) que venho desenvolvendo desde 2018, no qual busco conhecer e registrar para além da partitura, obras musicais de compositores varzealegrenses, para que pessoas sem conhecimento musical também possam apreciá-las”, disse.
Nesse seu projeto, o artista explora a essência, o amor às suas raízes musicais quando faz referência a nomes da música varzealegrense como Antônio José do Nascimento (Mestre Antônio) e José Clementino do Nascimento Sobrinho (Zé Clementino) – autores da música e da letra do hino de Várzea Alegre, respectivamente, Mestre Chagas, Pedro Sousa e Sérgio Piau.
A genialidade do artista é aquela que não se contém em sua mente e para o engrandecimento da cultura nasce em forma de poesia, de interpretação e de música. Essa genialidade criativa de Ricardo Félix se apresenta nesse projeto ao compor “Abertura Varzealegrense”. “Em meio esse percurso por empolgação me aventurei em compor uma música para trombone solo, a qual eu chamei de Abertura Varzealegrense. Escolhi esse título exatamente porque me apropriei de temas do Hino de Várzea Alegre e de São Raimundo Nonato (a primeira música do vídeo)”, destacou o músico.
Para o projeto, que contou com a parceria do violonista Gilberto Cassemiro, da cidade Icó, e apoio do videomaker, Marcelo Luiz e do músico Pedro Sousa Junior, Ricardo estabeleceu critérios na seleção musical. “Para a escolha dos demais compositores comtemplados utilizei como critérios: (1) compositores não tão conhecidos ou divulgados no âmbito local; (2) ou que apesar de terem seus nomes bastante lembrados as suas obras as quais escolhi não são tão conhecidas quanto os seus compositores. Estes critérios não comtemplam as canções de Zé Clementino, mas, mesmo assim resolvi incluí-las diante de toda a representação de Zé para com o município” – disse.
Ricardo Félix é Instrutor de Iniciação Musical do projeto Canto Coral, da Secretaria de Assistência Social de Várzea Alegre, que atende crianças e adolescentes.
A Secretária de Cultura de Várzea Alegre, Toinha Pereira, parabenizou Ricardo Félix pelo projeto e pelo talento dele para a música, referenciando o nome dele para a cultura do município. “Foi muito bom para ele, bom para Várzea Alegre, é um reconhecimento do trabalho dele, que a gente sabe que ele sempre foi um menino muito estudioso na música, muito competente e que vive a música por amor e por profissão também”, disse.
Obras escolhidas para o projeto:
1. Abertura Varzealegrense – Ricardo Félix;
2. Menina Linda – Mestre Chagas;
3. Dobrado São Raimundo – Mestre Chagas;
4. Arrodeando a Fogueira – Pedro Sousa;
5. Samba pra Esbanjar – Serginho Piau;
6. Pot-pourri (O jumento nosso irmão, Xote dos Cabeludos, Eu sou do Banco e Contrastes de Várzea Alegre) – Zé Clementino.
Sobre Ricardo Félix
Iniciou seus estudos musicais sob a orientação do maestro Genival Silva, na Banda de Música (Maestro José Ribeiro) de sua cidade natal, Várzea Alegre – CE, integrando a banda entre os anos de 2002 e 2017. Neste período atuou como músico trombonista, eufônista, trompista e percussionista, copista e auxiliar de maestro.
No ano de 2011 passou a residir em Natal – RN, onde foi aluno dos cursos de Bacharelado em Música (classe do professor Gilvando “Azeitona”) e Especialização em Educação Musical, ambos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Durante sua estadia em terras potiguares integrou importantes grupos para sua formação musical, dentre estes destacam-se a Big Band Jerimum Jazz, Orquestra Sinfônica da UFRN, Orquestra de Câmara da UFRN, Banda Sinfônica da UFRN, Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, entre outros. Ainda em Natal-RN, foi membro-fundador da Associação de Trombonistas do RN, que desde então, através do Encontro (anual) de Trombonistas do RN, vem promovendo debates importantes acerca do desenvolvimento do trombone no estado.
Nos últimos anos Ricardo tem recebido convites para ministrar oficinas de trombone em festivais, bem como a realização de recitais. Têm se preocupado em desenvolver pesquisas relacionadas às bandas de música, o processo de formação musical existente nesse universo. Algumas dessas pesquisas foram apresentadas e publicadas em anais de congresso como da Associação Brasileira de Educação Musical (ABEM) e Associação Internacional de Educação Musical (ISME).
Em 2017 Ricardo retornou à sua cidade natal, onde desenvolve um trabalho de iniciação musical através do projeto social Canto Coral, da Secretaria de Assistência Social de Várzea Alegre. Ainda entre 2017 e 2018 ministrou disciplinas práticas e teóricas no Curso Técnico em Instrumento Musical MedioTec/Funece, na cidade de Crato. Em 2018 iniciou o curso de Licenciatura em Música pela a Universidade Federal do Cariri. É mestrando em música do curso da PPGMUS/UFRN.
Foto: Fábio Oliveira

