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Prefeito pede ‘reforços’ para julgamento de Lula

Porto Alegre/Brasília. O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), pediu apoio da Força Nacional e do Exército para atuarem na cidade no próximo dia 24, quando o ex-presidente Lula será julgado na capital gaúcha. Ele explicou que a atitude visa “proteger o cidadão e o patrimônio público”.

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), sediado em Porto Alegre, vai julgar a apelação criminal de Lula no caso do tríplex do Guarujá.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, reagiu às declarações do prefeito. Gleisi também comentou decisão da Justiça Federal de Porto Alegre, que no final do ano passado acatou pedido do Ministério Público Federal gaúcho e determinou a proibição de acampamentos do MST nas proximidades do tribunal. A medida já está em vigor e é válida até três dias após a decisão do Tribunal.

“Inacreditável! É muito medo do povo. Primeiro, o MPF do RS e agora esse prefeito?! Força Nacional e Exército?! Quem está destruindo o patrimônio público e agredindo o cidadão é o governo golpista apoiado por vocês”, tuitou a senadora.

Desde que a data do julgamento foi determinada pelo Tribunal, o PT vem convocando a militância para comparecer a Porto Alegre como forma de pressionar as autoridades. O ex-ministro José Dirceu chegou a chamar a data de “dia da revolta”.

Em maio passado, durante o julgamento de Lula na Justiça Federal do Paraná, também foram proibidos acampamentos e montagens de estruturas em qualquer rua ou praça de Curitiba. O MST acabou montando acampamento numa área próxima à rodoviária, num terreno particular.

Avaliação

A Presidência da República pediu, ontem, aos ministérios da Defesa e da Justiça que avaliem o ofício recebido do prefeito de Porto Alegre, pelo qual ele solicitou tropas da Força Nacional e do Exército para o dia 24.

Segundo a Presidência, caberá aos dois órgãos avaliar a legalidade e a possibilidade de atendimento ao pedido. Depois de uma resposta dos dois ministérios, o tema deverá ser discutido entre ministros e Temer.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse “pessoalmente” não vê a “possibilidade de emprego das Forças Armadas nesse caso”.

“Se consultado, reafirmarei a desnecessidade”, disse o ministro. Jungmann ponderou que normalmente pedidos de operações de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) partem dos governadores de Estado, não de prefeitos, por força da Constituição. O Rio Grande do Sul é governado por José Ivo Sartori (MDB).

Movimentos sociais

Na carta a Temer, Marchezan Júnior afirmou que há “ameaça de ocupação de espaços públicos municipais pelos diversos movimentos sociais que manifestaram-se publicamente nesse sentido” e que teria ocorrido “menção à desobediência civil e luta propugnadas nas redes sociais por alguns políticos, inclusive senadores da República”. Ele solicitou tropas “para auxiliar na segurança da população e proteção dos próprios prédio públicos municipais, em razão do iminente perigo à ordem pública e à integridade dos cidadãos porto-alegrenses”.

Ontem, dirigentes do PT reunidos em São Paulo fecharam um calendário de atos neste mês em apoio ao ex-presidente. A mobilização é uma tentativa de, para além dos recursos judiciais, fazer um enfrentamento nas ruas à condenação dele. O petista esteve no diretório nacional da sigla durante cerca de quatro horas e participou do encontro.

Fonte: Diário do Nordeste