Temer pede a Fachin que devolva denúncia
Brasília. O presidente Michel Temer quer matar na raiz a segunda denúncia do procurador-geral da República Rodrigo Janot, que a ele atribui organização criminosa e obstrução de Justiça. Em petição protocolada no final da tarde de sexta-feira (15), no Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados do peemedebista requerem ao ministro Edson Fachin a devolução imediata da acusação ao gabinete de Janot. Eles alegam que o procurador incluiu “fatos delituosos” anteriores ao mandato de Temer, “razão pela qual o chefe da Nação não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.
A defesa do presidente pede que Fachin mande de volta a denúncia de 245 páginas à Procuradoria antes do julgamento da questão de ordem – marcado para quarta-feira (20), por meio da qual pleiteia que não seja autorizado encaminhamento à Câmara de nova acusação baseada nas delações da JBS dada a existência de investigação sobre violação ao acordo de colaboração dos executivos do grupo.
Quadrilhão do PMDB
Na denúncia, Janot revelou que Temer deixou de nomear Moreira Franco a um cargo em uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal e avalizou a indicação de Fábio Cleto, aliado de Eduardo Cunha e delator, porque sabia “que o potencial para arrecadar” do ex-deputado era “bem superior” ao do ministro. Janot pede ainda multa de R$ 55 milhões aos integrantes do “quadrilhão do PMDB”, perda de cargo, e uma pena maior para o presidente por ele supostamente ocupar a posição de líder.
R$ 3,3 bi em propinas
Quatro quadrilhas que teriam recebido R$ 3.317.820.268,28 em propinas. Essa é a soma de tudo o que Janot indicou nas quatro denúncias contra 34 políticos enviadas ao STF este mês.
Nas quatro denúncias, Rodrigo Janot pede que os envolvidos devolvam aos cofres públicos R$ 8,7 bilhões, sendo a maior parte devida pela quadrilha do PT no valor de R$ 6,8 bilhões
O valor inclui o que o Ministério Público Federal diz ser resultado de crimes de corrupção cometidos pelas assim nomeadas organizações criminosas do PT, do PMDB da Câmara, do PMDB do Senado, e PP. O PT, que esteve no comando da Presidência de 2003 a 2016, responde pela maior cifra: R$ 1,485 bilhão. Em seguida aparece a suposta quadrilha do PMDB do Senado, com R$ 864,526 milhões. Em terceiro, o grupo de Temer, com propinas na casa dos R$ 587,1 milhões, seguidos de R$ 380,9 milhões destinados ao PP, aliado de todas essas gestões.
Fonte: Diário do Nordeste

